E o sol radiante no céu castigava o homem na terra. Ele que rastejava e levantava, sofria com sua carne nua torrando na terra de ninguém. A dança era ritmada, caía e quando a pele sangrava, ele levantava e a passos lentos chegava-se a lugar nenhum. Se o sol pairasse em outra direção a história seria alegre, mas como estávamos no sertão nordestino, o sol, aquela bola de fogo do inferno, batia e fazia sangrar a pobre cobra do sertão.
O diabo era ele, as pedras faziam o papel de homens castigados, porém esse inferno era na verdade um circo já que as pedras é quem castigavam o demônio da terra de ninguém. Essas pedras que entravam nos ferimentos do pobre diabo faziam-no delirar de dor e o chão áspero arrancava o coro do homem, era um verdadeiro inferno de sofrimento. Seus pés não suportavam carregar aquele corpo delgado e num instante já estava o verme novamente rastejando. As pedras pareciam rir dele e quando isso ocorria, à fúria do demônio vinha à tona e o inferno tremia; ele gritava, xingava e chutava tudo que via pela frente e na sua frente só havia as pobres pedras.
Queria chegar a algum lugar, mas só havia como seguir em frente e a sua frente não havia nada a não ser mais terra pra engolir, a raiva já era evidente e o sangue empoçava a cada rastejo da cobra lerda. Ele chorava, o desespero era evidente, tinha que encontrar alguma coisa e rápido. Ele tentava correr, mas caía em seguida e então se arrastava o mais rápido possível, a carne exposta já não agüentava mais.
Foi quando avistou um vazio, a estrada não continuava mais; pensara então ter chegado ao seu destino e então ele soltou um grito de vitória, como se diabos ganhassem alguma coisa. A dor já não sentia e então se arrastava mais rápido a fim de chegar primeiro, como se estivesse competindo com alguém, mas não havia ninguém, aquele inferno era só dele. Então chegando à beira do buraco, ele vê o precipício e agora sem esperança de nada ele se torna o rei daquele inferno.
Aquele anjo só queria chegar em casa, pra salvar sua família; ele estava com o dinheiro e eles não iriam precisar serem despejados e andar que nem ele estava andando a minutos a trás. O roubo muitas vezes não significa nada pra alguns, mas é a vida de outros.
Juliana Roma
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