Abri a porta. Um primor o meu quarto. Um primor o meu quarto. Meu quarto. Que sono! A imensidão geométrica de faces e vértices alvos. O lume extasiante. O piano na sala. Um primor de piano. Meu piano. A porta. O ganir da porta. A lamaceira. O filho na escola. Divórcio. Catequese. Vertigem. O infinito ruído da porta. O estrondo.
Que susto! A porta colidiu... Colidiu a porta. Colidiu contra os batentes. Eclodiu.
Sístole, diástole. Sístole, diástole. Aula de relaxamento do professor Hamilton. Como era mesmo?
Aaaaah... Que sono... Que quarto! ... O quarto, o quarto... Ó, quarto!
Passos de madeira. Negruras na paisagem.
Silvicultura granular. Afasia. Que horror! Que horror! Fungos... aqueles fungos...
maculavam o frescor das paredes lisas. Era vida. Era praga. Era vida. Era praga.
Desmaiou.
...
- Meu amor...
A pausa de um a cento e trinta séculos.
- Que foi?
A voz vinha de dimensões longínquas. Nunca alcançou seu destino, pobre voz, deplorável voz, onda mecânica, nunca atravessou o labirinto de uma cóclea humana. É tarde. A voz molhada das luvas de borracha. A cozinha. Maquina de lavar. O cheiro do piano envernizado. Os fungos. O timbre dos fungos.
- Precisamos dedetizar a casa.
Elliot Scaramal
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2 comentários:
Eu queria saber como uma pessoa de 16 (dezesseis) anos pode ter todo esse conhecimento e capricho?
Já disse ... edite um livro, Elliot!
\o/
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