domingo, 1 de fevereiro de 2009

Como a situação muda

Os ruídos da noite assustavam a criança; a cada olhar se evidenciava o perigo e o medo latente era pela sua face expresso. Como um animal pronto para o abate, era assim que se sentia, mas para as pessoas ao seu redor era apenas mais uma criança jogada ao léu.

Num fluxo recorrente olhares sorrateiros eram a ela lançados e a pequena criança olhava ao seu redor em busca de proteção, mas o que havia eram somente prédios que presumiam tal segurança aos que nele residiam, porém não ao seu vazio.

Na larga rua em que se encontrava, carros passavam e as luzes davam uma idéia incerta de que caminho seguir. Cheiro, vozes, ruídos tudo se misturava em sua cabeça, mas nada disso lhe dava a certeza do que fazer. Pés sem cabeça para que rumo tomar, o corpo paralisado; só haviam ouvidos e olhos, estes esbugalhados para captar melhor o perigo.

Pensava consigo como poderiam existir tais humanos, humanos sem humanidade. Como não viam tal espanto em uma criança, como poderiam lançar olhares tamanhos desdenhosos? Sim. Não havia mão amiga.

A avenida com fluxo permanente de carros, com a proeminência de um incidente, assim mesmo era melhor do que tolerar aqueles cheiros, passos e olhares. Uma decisão era agora necessária. A criança perturbada, não suportava mais a segurança daqueles prédios que a cercavam e a encurralavam para a multidão, agora os pés ainda sem cabeça moviam o corpo para a avenida.

Parada, entre os carros, tinha um único anseio: que alguém lhe estendesse a mão; um anseio tão ingênuo, porém perdoa-se, afinal era uma criança; não obtendo respostas deu um passo à frente. Olhares complacentes eram agora a ela lançados, o intenso fluxo convergia agora em sua direção, mãos eram agora estendidas e a ajuda tão esperada era agora em vão.

Juliana Roma e Alessandra Roma

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