quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O Selo

Um velho cansado de viver. Um velho que não morria. Sentava na praça e ficava esperando o fim. De dia o céu só apresentava o sol e algumas nuvens que sempre iam esvaecendo e o deixava com a visão amarela brilhosa do sol somente. Persistia sentado esperando o que o céu poderia oferecer mais tarde e a noite vinha e o céu oferecia agora as belas estrelas e uma lua cheia.

Sozinho ele pensava no porquê de se ter um quadro com uma pintura tão linda se ninguém parava pra admirar aquela beleza. Questionava o Deus do porquê de oferecer uma noite admirável a ele se ele estava cansado daquela cena, daquela vida, daquele ar.

E continuava a brigar e todos os dias eram assim; mas o céu não se irritava, era sempre a mesma beleza, às vezes com mais estrelas às vezes com menos, nenhuma palavra daquele velho feria a noite. Então quando o velho não agüentou mais ser o único admirador da noite ele fechou seus olhos e a única coisa que desejou foi um amor, porque assim conseguiria ver o brilho das estrelas e o caminho iluminado pela lua. Suas preces não foram ouvidas, seu coração estava já petrificado e a única coisa que podia esperar realmente era a morte.

Em uma noite quando o velho estava de olhos fechados e desejando profundamente seu fim, já que não enxergava outro caminho, um casal passava em frente ao banco onde ele estava deitado e então por causa da sombra que eles faziam sobre seus olhos, ele os abre e vê que os namorados estavam parados fazendo justamente o que o velho desistira de fazer, eles estavam desvendando os mistérios do céu.

E como um dia é preciso ir, o velho se levanta do banco e começa a caminhar, mas não olhava para o chão, agora ele entendia o que o céu queria mostrar a ele. Olhava para o belo quadro e caminhava e então sua prece foi atendida: caminhando e seguindo o caminho da lua ele morre atropelado. O casal na praça, bem distante do acidente selou aquela noite com um beijo de amor, sentados no banco do velho. E o dia amanheceu azul.

Juliana Roma

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