Já era noite e estava na hora. Pegou uma folha em branco e uma caneta. Dessa vez não havia vinho, precisava estar sóbrio para o fazer. A mesa era grande, sentou na ponta perto da janela, essa estava aberta e entrava uma brisa que o mantinha acordado. Em outras noites sentava lá para escrever meras histórias fictícias, feitas para crianças ouvirem e dormirem. Era sábado.
Hoje não seria isso. Resolvera sentar-se para escrever sobre sua vida. O que teria feito, o que conquistou e as coisas que desistiu de fazer. Não. Desistira, não iria escrever uma autobiografia. Sentira vontade de planejar sua vida. A caneta era oportuna, já que, ganhara ela não se lembrava quando, mas sabia que fora em uma situação importante, e agora a situação que se encontrava também tinha sua devida importância.
Começou a escrever; eram 21:00h. Planejava poucas coisas, porém enumerava-as com um forte destaque. A caneta tinha quatro cores, as palavras eram escritas de preto e os números feitos em vermelho. Cansava, pensava, escrevia. Já se iam horas e horas, a caneta o acompanhava e o sono vinha. Queria tudo certo para esse resto da vida, não queria surpresas, nem ansiedade, nem desespero. Pretendia fechar sua vida na maior tranqüilidade.
Terminou. Poria em prática assim que acordasse para um novo dia. Foi dormir. Deixara a folha em cima da mesa. A janela ainda estava aberta. Já na cama, o sono o domina. A brisa que antes o ajudara, agora o traíra. O vento vem e leva a folha, mas, algo além da folha fora levado com o vento, também ele não acordou. Que seja assim o cumprimento de um plano com uma leve traição, porém, perdoa-se, afinal era uma brisa de sábado à noite.
Juliana Roma
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