A garrafa de vinho sobreposta na mesa de vidro, lá na sala, ele no quarto. Estava preparando-se, como sempre, sábado à noite; coloca seus escritos em cima da mesa, dividindo o espaço com a bebida. O vermelho chamava a atenção perto daquela papelada branca. Talvez não tão branca, pois afinal algumas estavam escritas, estórias inventadas pela sua cabeça doente da solidão.
Sábado à noite era o pior dia! Talvez escolhesse esse dia para juntar suas estórias e escrever novas, porque assim juntava todas as suas dores em uma só noite. Um gole e começou a escrever, acabava de olhar a estória que escrevera sobre a rua, essa que confundia os caminhos de uma vida, levando ao deserto, à extrema solidão ou há uma vida de luzes com muitas pessoas, como as ruas de Paris. Mas para exemplo seu, se conformara com a rua onde caminhou sua vida era a rua da solidão, principalmente nos sábados à noite.
Outro gole. Acabou-se o vinho do copo, assim como a nova estória criada, gostava muito, era criterioso com o que escrevia, mas nunca apagava uma vida do papel. Torna a encher o copo, admira a cor, poderia escrever algo sobre sangue, mas prefere somente a admiração mesmo.
Lembrou-se de colocar um blues para acompanhar a sua solidão, adora os mestres do blues. Pronto, entra no estado mais solitário de sua alma, talvez tivesse escolhido a rua errada. Não se preocupa em fazer critérios de sua vida, estava lá na sua mesa na companhia de suas estórias, de seu vinho e do blues, isso que importava.
Relê a estória criada. Fecha os olhos, acaba-se a música e o vinho. Adormece. Em seu sonho bêbado chega à conclusão de que escolhera a rua certa, tinha uma vida produtiva. Acordar para esperar outro sábado à noite.
Juliana Roma
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