Era só uma criança, mas já entendia as brigas de seus pais. Era por sua causa, podia ouvir tudo, apesar de não gostar do que escutava e via, continuava a admirar a cena depreciativa. Cena essa que se repetia e se repetiu durante toda a sua infância, não entendia o porquê de ser culpada das brigas, mal sabia elaborar idéias.
Em uma delas seu pai, de tanta raiva, quebrou várias coisas de casa, e de novo a culpa sobre caiu nas suas costas, ela chorou nesse dia, mas podia ver que o céu a acompanhava, o céu também chorava. Sentiu então um alívio, alguém estava com ela nesse momento difícil que parecia não ter mais fim. Acaba por adormecer, tem um sonho lindo. Sem palavras para descrevê-lo. Infelizmente acorda, encontra sangue em seu lençol, se assusta, olhando-se não encontra nenhum ferimento, entende, é só a primeira menstruação.
Agora crescida, as brigas terminaram, como em um passe de mágica, mas as marcas ficaram as lembranças corroem-na, odeia os pais. Odeia tudo aquilo que já causara dor em sua vida. A vida vai passando e o ódio nunca cessara, parece que na verdade aumentara. Tenta libertar-se no rock, filosofia, nada adianta, seu estado de espírito quer liberdade.
Os pais já não existem mais, morreram, nem sequer uma lágrima derramara, o ódio ainda é imenso, pensava. O céu chorou e ela não o acompanhou, tantas vezes ele a seguia dando força a sua lamentável vida, e na noite da morte de seus pais quando está em prantos, ela não o acompanha, é o fim de uma vida de união, a relação é cortada.
Agora ela, em estado depreciativo, pensa novamente; pensa em quem vai lamentar a sua morte, não dá mais tempo de implorar a ninguém, nem a seu amigo céu.
O veneno faz efeito. Ela se arrepende por não ter chorado quando queria, e por não ter perdoado. Degustava seu próprio sangue e todo ódio que o corrompera. Tinha apenas 32 anos! Diagnóstico: suicídio por envenenamento. E o céu chorou.
Juliana Roma
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Um comentário:
Concerteza uma das melhores coisas que já li. Eu derramei lágrimas com esse texto. Fez com que eu me coloca-se no lugar da menina e me sinti-se como ela. Um aprendizado concerteza que faz com que qualquer um que leia reflita, pense e não canse nunca de perdoar.
Beijos, ameii...
por: karla carolina v.s
Postar um comentário