Lua e postes acesos iluminavam a rua deserta por onde já passara a pouco um velho libertino. Os passos já soavam longe e a todo momento o velho olhava para trás e para cima como se esperasse algum julgamento terrível do céu. O vento assoprava forte e as árvores balançavam, fazendo um barulho que sem querer deixava pistas de sua passagem.
Seguia com seus devaneios que cada vez mais assombravam sua mente. O desespero eminente em seu rosto e a palidez de sua pele o deixava mais velho do que aparentava ser. Velho ofegante, não agüentava dar mais nenhum passo. Sentou-se na calçada para recuperar o fôlego e quando observou-se percebera que estava sem a camisa branca e o zíper de sua calça ainda estava aberto.
Ele olha para o relógio e num súbito desespero sai correndo de volta ao local onde tudo acontecera. Chega ao lugar. Ela ainda está estirada no chão. Era jovem, cabelos grandes e lisos e agora o branco de sua pele contrastava com o sangue que escorria de sua cabeça do tanto que se debatera. Esse sim fora o melhor estupro que fizera, nunca sentira tanto prazer retirando o pudor de uma pobre jovem.
A camiseta estava ali, em cima dos seios robustos da moça. Seios esses que agora estavam roxos de tanto serem comprimidos pelas mãos velhas, enrugadas do velho libertino. As mãos ainda desejosas, o corpo ainda fogoso não perdoara o corpo arranhado e roxeado do cadáver. Começava assim tudo de novo. Ele colocou-se deitado ao lado dela e dá inicio as ações de seus devaneios. Esqueceu-se do tempo, das luzes e das árvores. Incessantemente apalpava-a e a apertava. Mas ela não correspondia ao seu desesperado amor.
Cansado de tentar arrancar qualquer suspiro da boca da jovem, ele fecha o zíper de sua calça, pega sua camisa e sai. Agora despreocupado, andando a passos leves vai seguindo sua direção. Era velho mas ainda tinha desejos juvenis.
Juliana Roma
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Um comentário:
Muito bom o texto, gostei! Mesmo sendo bem curto, tu ambienta muito bem, mesmo sendo um pouco genérico o espaço físico, fica fácil imaginar a cena, o vento.... adorei!
Postar um comentário